Estudo inédito descobre que Tiranossauro Rex encontrado nos EUA tinha doença óssea

Estudo inédito descobre que Tiranossauro Rex encontrado nos EUA tinha doença óssea https://bit.ly/31mFHGy

Um estudo apresentado nesta quarta-feira (1º), na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), revelou uma doença óssea mandibular em um Tiranossauro Rex descoberto nos EUA.

De acordo com a pesquisa, feita por especialistas do Charité Hospital, um hospital universitário afiliado à Universidade Humboldt e à Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, o dinossauro, que vivia no estado americano de Montana, tinha uma infecção conhecida por osteomielite tumefativa, no dentário esquerdo.

Tiranossauro Rex em exposição no Museu de Ciências Naturais de Berlim é um dos esqueletos fossilizados mais completos da espécie. Imagem: Mark König / Creative Commons

Esse resultado – nunca antes alcançado em análises de fósseis – foi obtido graças a uma abordagem de imagem não destrutiva baseada em uma técnica chamada tomografia computadorizada de dupla energia (DECT).

Entregue a museu alemão, tiranossauro americano é um dos dois únicos exemplares da espécie na Europa

Um dos dinossauros mais conhecidos da cultura popular de hoje, o T. Rex era um enorme  dinossauro carnívoro que vagava pelo que hoje é o oeste dos Estados Unidos há milhões de anos. 

Em 2010, um paleontólogo comercial que trabalhava em Carter County, Montana, descobriu um dos esqueletos mais completos já encontrados da espécie. O esqueleto fossilizado, que remonta a aproximadamente 68 milhões de anos ao período do Cretáceo Superior, foi vendido a um banqueiro de investimento, que o apelidou de “Tristan Otto”.

Segundo o site Phys, “Tristan Otto” foi emprestado ao Museu de Ciências Naturais de Berlim, e hoje é um dos dois únicos esqueletos originais de T. Rex em toda a Europa.

Ao decidir estudar o material, Charlie Hamm, médico radiologista pós-doutor da Universidade de Berlim que liderou o estudo, optou por empregar uma técnica inédita e não invasiva. 

“O DECT implanta raios-X em dois níveis de energia diferentes para fornecer informações sobre a composição do tecido e os processos de doenças que não são possíveis com a tomografia computadorizada de energia única”, explica 

Segundo Hamm, o método de imagem pode ter aplicações significativas na paleontologia, como uma alternativa a técnicas de avaliação de fósseis que envolvem a destruição de amostras.

Reconstruções por tomografia computadorizada (TC) do dentário esquerdo. (A) Reconstrução das imagens convencionais de TC em vista lateral mostrando estruturas anatômicas bem preservadas, como os dentes substitutos. A seta indica a massa exofítica focal – o crescimento anormal que se projeta da superfície do tecido – na superfície ventral no nível da 3ª à 5ª raízes do dente. (B) O mapa de material de cálcio baseado em DECT mostra uma distribuição mineral homogênea, enquanto em (C), o mapa de material de flúor mostra um acúmulo mineral significativo no centro da massa exofítica e raízes dentárias adjacentes (ponta de seta). Imagem: RSNA e Charlie Hamm, MD

“Nossa hipótese é que o DECT poderia permitir a decomposição quantitativa de materiais não invasivos com base em elementos e, assim, ajudar os paleontólogos na caracterização de fósseis únicos”, disse o pesquisador.

Ele explica que a técnica permitiu superar as dificuldades anteriormente identificadas de escanear o dentário esquerdo da mandíbula de “Tristan Otto”. A alta densidade da peça foi particularmente desafiadora, já que a qualidade da imagem de tomografia computadorizada é conhecida por sofrer influências ou gerar representações incorretas de estruturas de tecido ao olhar para objetos muito densos.

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Na inspeção visual e pela tomografia computadorizada, o dentário esquerdo mostrou espessamento e uma massa em sua superfície que se estendia até a raiz de um dos dentes. O DECT detectou um acúmulo significativo do elemento flúor na massa, um achado associado a áreas de densidade óssea diminuída. A massa e o acúmulo de flúor apoiaram o diagnóstico de osteomielite tumefativa.

Método é promissor em extensa variedade de aplicações

“Embora este seja um estudo de prova de conceito, a imagem DECT não invasiva que fornece informações estruturais e moleculares sobre objetos fósseis únicos tem o potencial de responder a uma necessidade não atendida em paleontologia, evitando a desfragmentação ou destruição”, explicou o Hamm.

“A abordagem DECT é promissora em outras aplicações paleontológicas, como determinação de idade e diferenciação de osso real de réplicas”, acrescentou Oliver Hampe, cientista sênior e paleontólogo de vertebrados do Museu de Ciências Naturais de Berlim.

Com a ajuda de Hamm e sua equipe, cientistas do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade de Illinois, nos EUA, puderam realizar uma análise tomográfica semelhante no mundialmente famoso T. Rex “Sue” que está alojado no Museu de Campo de Chicago.

“Com cada projeto, nossa rede colaborativa cresceu e evoluiu para um grupo verdadeiramente multidisciplinar de especialistas em geologia, mineralogia, paleontologia e radiologia, enfatizando o potencial e a relevância dos resultados para diferentes campos científicos”, comemora o líder do estudo.

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